ARRITIMIA CARDÍACA

O coração tem um ritmo natural chamado ritmo sinusal, controlado por um local específico chamado nó sinusal. Esse nó gera um estímulo elétrico que define os batimentos cardíacos, fazendo com que eles ocorram de forma constante e regular. Cada batida do coração envolve uma contração (sístole) e um relaxamento (diástole), que são respostas físicas ao estímulo elétrico propagado pelo sistema de condução do coração.

Quando esse ritmo se desorganiza, ocorre o que chamamos de arritmia cardíaca. Isso acontece por alguma alteração na geração ou na condução do estímulo elétrico. Existem vários tipos de arritmia, e por isso usamos classificações para facilitar o diagnóstico e o tratamento.

As arritmias podem ser classificadas de duas formas principais:

  • Pela frequência cardíaca:
    • Taquiarritmia: quando o ritmo está acelerado.
    • Bradiarritmia: quando o ritmo está mais lento que o normal.
  • Pelo local de origem do estímulo elétrico:
    • Supraventricular: quando a arritmia se origina acima dos ventrículos, geralmente nos átrios.
    • Ventricular: quando a arritmia começa nos próprios ventrículos.

Veja alguns exemplos dessas classificações:

O sintoma mais comum das taquiarritmias é a palpitação — o paciente percebe o coração acelerado, descompassado ou com “falhas” (essa última sensação é típica das extrassístoles). Outros sinais incluem tontura, sensação de desmaio, desmaio (síncope), desconforto no peito, mal-estar e náuseas.

Nas bradiarritmias, os principais sintomas são tontura e desmaio. Também podem surgir cansaço, náuseas, vômitos e mal-estar. Em alguns casos, a morte súbita pode ser a primeira manifestação clínica de uma arritmia.

Para diagnosticar corretamente, é fundamental uma boa avaliação clínica e um eletrocardiograma de 12 derivações, que é um exame simples, feito em repouso. A maioria das arritmias pode ser identificada com esse exame, permitindo definir a conduta adequada.

Contudo, quando os sintomas sugerem arritmia, mas o eletrocardiograma não mostra alterações no momento do exame, outros testes podem ser necessários, como: Holter 24h, looper, ecocardiograma, teste ergométrico, exames de sangue, ressonância magnética, cateterismo e estudo eletrofisiológico.

Cada tipo de arritmia exige um tratamento específico. O uso de medicamentos antiarrítmicos é comum, mas outros tratamentos também podem ser necessários. Por exemplo, na fibrilação atrial, pode ser indicado o uso de anticoagulantes para evitar a formação de coágulos que podem causar AVC.

Em casos de urgência com instabilidade clínica, pode ser preciso realizar uma cardioversão elétrica (choque controlado) no pronto-socorro ou UTI. Para alguns tipos de arritmia, é indicada a ablação por radiofrequência, feita durante o estudo eletrofisiológico. Já em situações em que a arritmia está associada à obstrução das artérias do coração, pode ser necessária uma angioplastia com stent, que ajuda a restaurar o fluxo sanguíneo e evitar complicações graves.

Este foi um panorama geral sobre as arritmias cardíacas. Mas, devido à variedade de tipos e características, é importante aprofundar os conhecimentos sobre as mais comuns para entender melhor seus riscos e tratamentos.

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